


A União Europeia classificou os elementos terras raras (REE) como matérias-primas críticas de elevado valor económico e interesse comercial, resultante da dificuldade e dos elevados custos na sua obtenção, mantendo um vasto campo de aplicações. Neste estudo avalia-se a utilização de diferentes macroalgas vivas, no intuito de remover e concentrar os REE a partir de águas onde estejam presentes. O potencial de utilização das macroalgas vivas foi avaliado através de ensaios cinéticos em soluções mono e multicontaminadas, incorporando os REE cério (Ce), európio (Eu), ítrio (Y), lantânio (La) e neodímio (Nd) em água salina, partindo de uma concentração inicial de 500 µg L-1, e às quais foram adicionadas as macroalgas vivas Gracilaria gracilis, Fucus vesiculosus e Ulva lactuca, em quantidades aproximadamente de 450-500 mg L-1 em peso seco. Destacaram-se as taxas de remoção alcançadas pela alga vermelha G. gracilis, com valores entre 60 e 99% para todos os REE em solução. As soluções multicontaminadas revelaram eficiências de remoção superiores às obtidas com as monocontaminadas, comprovando-se ainda a baixa seletividade para os diferentes elementos testados. A quantificação dos REE na biomassa está concordante com o declínio observado na solução, comprovando-se o potencial do uso de macroalgas para a remoção e recuperação dos REE presentes nas águas residuais, sendo o processo simples, económico e de baixo impacto ambiental.