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Série ii / Número 182 / Volume 50
Outubro 2026
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Para que o método científico seja corretamente aplicado ao estudo da origem da vida e da sua deteção no universo, a quantificação é essencial. Sem parâmetros mensuráveis e testáveis, as discussões sobre a emergência da vida permanecem, pelo menos em parte, especulativas. Embora já existam indicadores e metodologias relevantes nesse processo de quantificação, como a quiralidade molecular, o fracionamento isotópico e razões elementares como C/N, estes continuam ancorados na estrutura bioquímica da vida na Terra, limitando a sua aplicabilidade em contextos astrobiológicos com configurações geoquímicas e ambientais radicalmente diferentes. Este artigo apresenta uma análise crítica da “Teoria da Informação Funcional Crescente”, que visa estabelecer uma metodologia universal e quantitativa baseada no crescimento progressivo da eficiência funcional em sistemas complexos, orientando, em última instância, a sua evolução desde a química abiótica até à existência biótica. O objetivo é avaliar o alcance e as limitações desta teoria enquanto estrutura teórica aplicável na deteção de vida no sistema solar. As fontes hidrotermais são propostas como estudos de caso fundamentais para essa avaliação, uma vez que são consideradas análogos planetários plausíveis onde este enquadramento pode ser testado e aplicado na procura de vida para além da Terra.


A mecanoquímica existe há vários milhares de anos, mas foi negligenciada em favor da química baseada em reações em solução durante muito tempo. Só recentemente a mecanoquímica surgiu como uma tecnologia fundamental para o avanço da química verde e sustentável, oferecendo uma alternativa sem solventes (ou com baixo teor de solventes) aos processos químicos tradicionais. A liga mecânica, utilizada com sucesso na indústria metalúrgica, abriu caminho para a aplicação da mecanoquímica noutros setores industriais, por exemplo, no tratamento de resíduos e na descontaminação do solo, bem como na preparação de produtos farmacêuticos, na transformação de biomassa, na reciclagem e na degradação de polímeros, entre outras aplicações. Em suma, surge como um caminho promissor para a descarbonização da indústria química. Várias iniciativas floresceram posteriormente graças aos esforços combinados de cientistas pertencentes à Associação Internacional de Mecanoquímica (IMA): a aprovação da ação COST CA18112 “MechSustInd” e a consequente criação de redes colaborativas possibilitaram o financiamento do projeto “IMPACTIVE” no âmbito do programa Horizonte Europeu, o estabelecimento de um grupo de trabalho EuChemS sobre Mecanoquímica, a organização do projeto “Round Robin” sobre transformações mecanoquímicas e a aprovação do projeto IUPAC sobre terminologia e simbolismos associados à mecanoquímica. Todas estas iniciativas promovem ativamente a mecanoquímica, abordando os seus desafios e fomentando a colaboração entre o meio académico e a indústria. Estas ações colocam, assim, a Europa na vanguarda da inovação mecanoquímica, enquanto impulsionam processos químicos amigos do ambiente e promovem o desenvolvimento de terminologia normalizada e aplicações industriais.


O Imperador D. Pedro II do Brasil foi um soberano de vasta cultura. Depois de uma breve exposição do seu retrato, referimos a influência de tutores e professores na sua aproximação à Química. O Monarca dispunha mesmo de um laboratório próprio. Analisa-se a sua inclusão na comunidade científica europeia, as suas visitas de estudo e correspondência, bem como a sua forte ligação às primeiras escolas de ensino da Química no Brasil. O Diário do Imperador foi uma valiosa fonte de informação dos seus atos, interesses e reflexões.


De ascendência judaico-portuguesa, Jonathan Pereira (1804-1853) é considerado um dos principais precursores da farmacologia moderna. Autor de “The Elements of Materia Medica”, sistematizou o conhecimento sobre substâncias terapêuticas e exerceu uma influência direta sobre Rudolf Buchheim, fundador da farmacologia experimental. A sua obra assinalou a transição da “materia medica” empírica para uma abordagem científica do medicamento.


A revisão das Aprendizagens Essenciais para a Química responde a desafios como desigualdades e desinformação, consolidando um paradigma centrado no aluno. Introduz descritores de desempenho claros e quatro eixos didáticos: avaliação estruturada, integração crítica da IA, contextualização na sustentabilidade e cidadania, e promoção de trabalho prático autêntico. A ênfase na distinção ciência/pseudociência é crucial, transformando a sala de aula num espaço de pensamento crítico através de atividades de desconstrução, preparando alunos para uma cidadania informada.


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